Como funciona: Bomba de Óleo

set 9, 2016 em Informações Técnicas

A bomba de óleo é responsável pela lubrificação forçada do motor do veículo. Esse procedimento acontece quando o óleo do cárter é retirado e enviado pelo compartimento principal de lubrificação. O óleo é enviado para diversas partes do motor, que passam a ser lubrificadas regularmente. Quem realiza todo o envio é a bomba de óleo.

Para efetuar o deslocamento do óleo, a bomba usa a rotação de engrenagens ou rotores internos, a rotação é feita pelo giro do próprio motor. Ou seja, a bomba de óleo precisa do próprio motor para funcionar e vice-versa.

A bomba de óleo é formada pelo corpo, tampa, alguns eixos, engrenagens internas e válvula. O formato da bomba é bem semelhante tanto nos motores a gasolina quanto nos a álcool. Os eixos e a válvula são feitos em aço tratado termicamente, já as engrenagens são compostas de ferro sinterizado. Em alguns motores a diesel, também é usado o ferro fundido para produzir o corpo e a tampa, com aço tratado para os eixos, a válvula e as engrenagens.

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Deslocamento do Óleo

O processo de transferência do óleo do cárter para o motor é denominado de “deslocamento positivo”, isto é, dispõe de uma grande capacidade de comprimir o óleo que sai da bomba e continua enviado óleo mesmo sofrendo resistência em sentido contrário. Isto acontece devido a rotação das engrenagens internas que levam o óleo pelo vão que existe entre os dentes e a carcaça da bomba, gerando um efeito de “sucção" que suga o óleo pelo pescador.

As engrenagens giram muito rápido (em média 40 rotações por segundo) e o óleo é retirado deste vão com força para ser filtrado e subir até as partes altas do motor. O que pode ser destacado nesse processo é a grande força utilizada pela bomba. É apenas por meio dessa força que ela consegue continuar enviando óleo para o motor, até mesmo quando sofre a “contra pressão”.

A válvula de alívio reduz a força da bomba quando o giro do motor sofre um aumento. Sem ela, a bomba de óleo acabaria utilizando tanta força no envio que seria capaz de ocasionar a destruição de outros componentes do motor (como por exemplo, os filtros e radiadores de óleo).

Desgaste e troca da bomba de óleo

O óleo lubrificante é enviado com o esforço do motor, pressionando a passagem pelas folgas internas da bomba. Por conta disso, temos um esforço radial nas engrenagens internas, isto é, o óleo empurra as engrenagens contra seus eixos, se elas não fossem tratadas termicamente, “abririam o bico” rapidamente.

Veja as consequências dessa compressão:

Os dentes das engrenagens tendem a afinar, o corpo ou a carcaça da bomba crescem e a folga entre o topo das engrenagens e a tampa cria um vão;

O embolo da válvula de alívio fica menor, deixando de vedar corretamente o óleo;

A mola da válvula fica cansada e enfraquece, abrindo antes da hora, ou seja, com contrapressão do motor.

Isso acontece sincronicamente e, somando estas consequências, concluí-se que é hora de trocar a bomba de óleo. Geralmente isto acontece no momento em que a bronzina se desgasta.

A vida útil de uma bomba de óleo é parecida com a das bronzinas, no entanto, dependendo da maneira que é feita a manutenção, a vida útil diminui bastante. O óleo que passa pela bomba não é filtrado e, como suas folgas e ajustes têm a mesma ordem de grandeza do ajuste das bronzinas, ela se torna exposta às sujeiras e depósitos de carvão, decorrentes das funções do óleo lubrificante, que volta para o cárter e passa pela bomba antes de ficarem retidos no filtro. Essa sujeira torna o óleo abrasivo, o que aumenta o desgaste da bomba. Então, o recomendado é realizar a troca da bomba sempre que for feita a troca das bronzinas.

Tá, mas como eu instalo a bomba de óleo?

É importante que a bomba de óleo seja instalada por um profissional de sua confiança. Mas, para ficar ainda mais seguro, conheça abaixo como é o processo de instalação.

Inicialmente, são necessários alguns cuidados na montagem:

Limpar todas as galerias de óleo;
Verificação das folgas de óleo no virabrequim, eixos intermediários e comando de válvulas;
Verificação da sequência de montagem das capas de mancal e de biela.
Apertar os parafusos das capas, com torque especificado;
Montar o eixo do distribuidor (verificar exceções).

Após esses procedimentos é hora de:

    1. Pegar uma cuba e colocar óleo de motor limpo e novo;
    2. Mergulhar o pescador da bomba e girar manualmente o eixo, de modo que o óleo suba e comece a sair pelo furo de comunicação com o bloco;
    3. Colocar a junta nova na bomba-bloco, que vem com o jogo de juntas do motor;
    4. Encaixar manualmente a bomba ao bloco;
    5. Forçar a bomba contra o bloco com a mão, girando manualmente o eixo do distribuidor, sendo que este último deve girar apenas com a força da outra mão;
    6. Colocar e apertar os parafusos de fixação, com o torque especificado;
    7. Confirmar se o eixo do distribuidor continua girando manualmente;
    8. Colocar o cárter, que deve estar rigorosamente limpo.

Mesmo depois de todo esse processo, sempre é necessário verificar se todas as peças estão encaixadas e nos seus respectivos locais e fazer o seguinte teste:

    1. Retirar o sensor de pressão do óleo e colocar um manômetro;
    2. Colocar óleo limpo e com viscosidade normal;
    3. Preparar a tampa de válvulas para ser retirada;
    4. Dar a partida no motor sem acelerar;
    5. Imediatamente, abrir a tampa de válvulas e verificar se o óleo está chegando e o tempo que demora. Fechar a tampa logo em seguida;
    6. Anotar a pressão de marcha lenta com o motor frio;
    7. Se tudo estiver normal, deixar o motor esquentar;
    8. Com o motor quente e em marcha lenta, observe que a pressão do óleo cai. Mas, ela nunca deve ficar inferior a 1Kgf/cm2 (a depender do motor);
    9. Acelerar gradativamente o motor e verificar se a pressão aumenta;
    10. Acelerar fundo e observar se a pressão está estabilizando em um valor máximo em torno de 5 a 7 Kgf/cm2;
    11. Deixar o motor funcionando por pelo menos uma hora;
    12. Se o motor foi recondicionado, trocar o óleo e o filtro, antes de finalmente dar o processo por finalizado. O óleo deverá ser trocado novamente, após 500Km.
No vídeo abaixo, você visualiza tudo que foi dito antes: